18 fevereiro 2015
10 setembro 2014
25 junho 2014
Ele
gritava muito alto no meio da noite.
Devia doer aquele coração para gritar tão forte.
Parecia que queimava tudo aquilo que pensava.
Vontade minha de sair na rua.
Levantar
da cama.
Ir
atrás daquela voz.
Mas
medo de um tiro.
De
me intrometer onde não preciso.
Eu
mesmo não mudaria nada.
Só
daria de comer a minha abelhudice.
Sossega
que logo passa.
Volte
com o som da tevê.
Que a noite escorrega como tem que ser.
E
esse grito arde mais.
Espaçados
agora.
Entra
ar naqueles pulmões.
Talvez
estivesse se conformando.
De
repente parou.
E parecia
que ia se aproximando.
Eu
sentado na cama.
Já
tinha ido até a janela.
Algumas vezes.
Ele
não gritava mais.
Quer
dizer.
Não.
Não gritava mais.
Foi
só impressão.
Eu que queria ouvir mais.
O
grito dele me fazia bem.
Aliviava
o meu abafado.
Inesperadamente
um chute na porta.
E deu tempo de perceber que ele era forte.
E deu tempo de perceber que ele era forte.
Andy Gercker
25
junho 2014
30 março 2014
Não existe diferença entre eu e você. Não existe diferença entre
o que você pensa e o que eu penso. A diferença se é que existe, já que insiste, está no tempo das coisas. A
diferença do tempo. Formaríamos um divertido casal. Uma boa dupla. Mas o tempo,
esse animal arisco, escorrega entre as folhas do calendário. A sintonia fora do
ar. A estação mais fria. Se agora não nos podemos. Ontem não tardará em voltar.
Oferecemos tempo que noutra esquina, tão perto, ainda havemos de nos reencontrar.
Andy Gercker
30.03.2014
E pra tudo acabar em. No mais profundo e violento desejo. Selvageria. E por que não somos livres? Se tudo que se
consome é pra esse fim?! Sou cria dessa cisma burra e careta. O comum seria na
rua quando se precisasse. Posso ter um dia de escritor em casa sem culpa? Posso
buscar tranquilidade para esse canto de dentro? Estamos atravessando a era do
tédio. O tédio em seu trivial destino desfila por entre minha rua e depois circula
a cidade inteira e sufoca a todos. Quero conhecer um ser humano ao menos que
foi capaz de pensar a vida sem que tenha esbarrado com a tristeza. Fico nu em
casa então. Em protesto solo. Aguardando notícias de outros mundos pelos
aplicativos. Alguém há de querer entrar nesta dança. Aguardemos. Como sempre.
Não adianta querer buscar sentido quando o sentido é o que menos se deseja.
Fuma. Você não precisa ir para a rua. Você nesse momento não precisa.
Aproveite. Correr para que? Comer por que? Sair para onde? Ah sim, pra acabar
tudo em. Hoje dispenso. Preciso entender três coisas:
1.
onde foi mesmo que guardei todas
aquelas sensações?
2.
quem avisou a policia que estou
morto?
3.
do que eu lembro antes da patada do
leão?
Andy Gercker
29.03.2014
Acidente 1
Andy e Ana ao telefone:
explodiu
o que?
o computador
onde?
na cara
de quem?
Jean
quando?
agora
como assim?
eu vi.
espera aí, o que está acontecendo?
tem pedaço dele em mim.
pedaço?
da cabeça eu acho.
que nojo.
pois é.
onde é?
aqui.
onde fica?
na frente.
do que? eu vou ficar doida.
da minha casa.
fala mais alto.
casa.
na frente da sua casa?
é.
Jean?
é.
não conheço.
meu namorado.
desde quando você tem namorado?
tinha.
desde quando você tinha namorado?
desde de sexta.
caralho.
agora a cabeça dele explodiu.
se isso for brincadeira eu vou ficar puta.
tem pedaço dele em mim. na minha boca.
cospe.
o que?
o pedaço dele.
pronto.
cuspiu?
cuspi.
ótimo. estou indo praí.
Ana.
que?
chama a policia.
Andy Gercker
29.03.2014
17 março 2014
Quão fundo ainda pretende essa desenfreada agonia passear pelos
azedos caminhos do delírio? E até onde suportará essa ânsia moribunda e
triturada de recomeços? Já queimou e virou cinzas todo volume de esperanças. É
do pó, a urtiga do que virá. Poderiam muito bem sair da minha frente esses selvagens
tapetes de cordas pesadas pra acertarem outra cara. Mas me atravessou rasgando fundo
a carne com aquela frase. No mais áspero desejo de não querer fazer sofrer. Mas
é assim a vida. Comentou o alienado. Adeus agitação. Possível domador de fontes
novas. Quão cansado ainda ficará o relógio? Dilacerante e banal como qualquer
canto que se cante. Nas mãos suadas e bêbadas algumas respostas vacilantes
experimentam recolocar a ordem dos pensamentos. Tem o impacto de uma descarga
elétrica de alta intensidade e de longa distância. Que derruba. Que ofende. Que
entristece. Adeus aquele plano. Adeus aquela idéia. Até talvez mais um domingo.
Fissura desgastada pelo monótono exercício do destino. Um pássaro de asa
quebrada que sabe reconhecer o sublime impulso de um voo saberá num momento
importante voltar a ser valente. Em paz. Sem sofrimento. Para outra vez. Arde na
bunda o peso do coice de um animal ideal. É possível acreditar que conseguirá
recobrar a razão? Jamais. Que apaguem as luzes e se faça silêncio. Esta noite
preciso chorar.
Andy Gercker
17.03.2014
Bairro Peixoto.
RJ
05 março 2014
Pronto,
agora ele cismou que.
Passar a
vida pensando para que serve a vida.
Passar a
vida pensando.
E não sabe
como fazer dinheiro do que pensa.
Não ganha
para pensar.
Mas pensa.
Teimoso esse
menino.
Pronto,
agora ele cismou que.
Vai mudar as
coisas de lugar.
Para
encontrar um lugar.
Em que possa
esconder.
As coisas
fora do lugar.
Mas que
teimoso esse menino, ele não vai encontrar.
Pronto, agora ele cismou.
Andy Gercker
04.03.2014
Bairro Peixoto
Copacabana
RJ
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